A própole, substância terapêutica

 

A própole ou cola de abelha é uma substância resinosa, castanha esverdeada, constituída por resinas e bálsamos (55%), cera (30%), óleos voláteis (10%) e pólen (5%). Até há pouco, não estava averiguado exatamente quais as substâncias a partir das quais as abelhas a preparam e acreditava-se antigamente que o recolhiam nos rebentos dos salgueiros, choupas, bétulas, pinheiros, abetos, epíceas (pinheiro da Noruega), castanheiro da índia, etc. Ora, as investigações dos últimos anos demonstram dum modo seguro que as abelhas a preparam a partir do pólen.

Na medicina empírica a própole é muito utilizada para o tratamento dos tumores malignos, das calosidades e das feridas. Durante a guerra dos Boers foi muito utilizada para tratar os ferimentos e deu, na opiniao dos médicos militares, excelentes resultados. Na União Soviética, durante a última guerra, sob a iniciativa de L. M. Khandross, doutor em ciências químicas, a própole foi experimentada em duas clínicas cirúrgicas de Sverdlovsk. O tratamento dos feridos com uma pomada à base de própole deu bons resultados; mas depois abandonou-se o emprego desta pomada.

K. G. Gaptrakhimánova, com a ajuda duma pomada de própole, tratou com êxito a gangrena seca ou necrose dos animais de granja. Verificou então que esta pomada preparada à base de óleos de vaselina, de girassol e de meimendro nas proporções de 1:1 e 1,5:1 era mais eficaz do que muitas outras preparações utilizadas para aqueles casos. Igualmente N. Tóporova e K. Topórina demonstraram que a pomada de própole no tratamento da necrose do gado graúdo exerce uma ação notável sem necessidade de ablação prévia das regiões atacadas de necrose ou da sua eliminação superficial. E provável que a pomada de própole pertença às substâncias fracamente irritantes e que favoreça a nutrição normal dos tecidos.

Em 1957 N. N. Prokopóvitch apresentou uma nota sobre as propriedades anestésicas locais de própole. As suas experiências tinham mostrado que uma solução de 0,25% de própole era mais ativa do que uma solução de cocaína ou de novocaína e que estas propriedades são devidas aos óleos voláteis contidos na. própole; assim uma solução a 0,25% destes óleos voláteis determina uma anestesia total durante 12,5 minutos. Após destilação destes, a própole perde as suas propriedades anestésicas.

Quando da primeira Conferência Científica Regional de Moscovo consagrada à apicultura médica, G. Z. Mukhamediárov, doutor em ciências médicas, fez uma interessante comunicação sobre as propriedades antipruridos da própole. Segundo as nossas observações clínicas pessoais, na maior parte dos casos este efeito contra as comichões seria apenas temporário. Cabe aos dermatólogos estudar este remédio e desenvolver a experimentação a uma escala mais ampla.

O uso da própole na inalação dá excelentes resultados nas afecções das vias respiratórias superiores e dos pulmões (bronquite, tuberculose). O modo de tratamento é simples e pode ser facilmente realizado em casa. Basta fundir, em conjunto, em banho-maria 60 g de própole da melhor qualidade e 40 g de cera (num recipiente em alumínio de 300 a 400 ml que se coloca num outro maior cheio de água a ferver). As inalações fazem-se de manhã e à tarde durante 10 mm, num período de 2 meses. A ação curativa seria devida às bactericidas contidas na própole. Procedemos atualmente a uma série de experiências que permitam elucidar esta questão.

Foi estabelecido, aliás, que uma solução alcoólica de própole a 10% possuía propriedades antigripais. As experiências feitas in vitro autorizam a recomendar a verificação clinica das propriedades médicoprofilácticas do extrato de própole contra a gripe virótica e talvez contra outras infecções de vírus e tumores malignos.

No decurso do XX Congresso Internacional de Apicultura em Bucareste (1965), Adelina Derevié, A. Popescu e N. Popescu apresentaram um interessante relatório sobre as propriedades experimentalmente demonstradas (em cobaias), que possuiam o extrato alcoólico e a pomada de própole, de acelerar a cicatrização das queimaduras. Segundo autores, a ação protetora e regeneradora sobre os tecidos conjuntivos pertence ao grupo dos flavonóis, no número dos quais se inclui a galangina, substância ativa da própole.

Numa outra comunicação ao mesmo Congresso, 4 Adelina Derevié e Alexandre Popescu indicaram quetinham obtido e padronizado um extrato alcoólico de própole ao qual tinham dado o nome de «fator F»(representado pelo conjunto das substâncias combinadas neste extrato alcoólico>. Por outro lado, deter

minaram que o aumento de 1/10 do extrato alcoólico contendo o factorF(concentrado por eliminação duma grande parte do seu álcool) agia sobre as células da ascite de Ehrlich. As investigações prosseguidas por Evgénia Soru, membro de academia, e seus colaboradores mostraram que em contacto com o extrato de própole (o fator F) as células de Ehrlich dos tumores de ascite sucumbiam rapidamente.

Por outro lado, a ação in vitro (em tubos de ensaio) do extrato alcoólico de própole em concentrações de 1/3 ou de 1/10 entravam um pouco o desenvolvimento dos bolores Aspergillus e Mucor; a própole em estado fresco (in vivo) não tem, ao contrário, nenhuma ação anticriptogâmica. A adiçã~o de própole, em diversas taxas de concentração, ao mel contaminado pelos bolores atrás mencionados não poupa as abelhas da morte.

Adelina Derevié, A. Popescu e N. Popescu estudaram, sob o ponto de vista das suas propriedades bactericidas e inibitórias, três amostras de própole (duas provenientes da Romênia e uma expedida por nós da U.R.S.S.). As investigações mostraram que a própole entrava o desenvolvimento de enterococos e de certos outros micróbios; pelo contrário, não exerce nenhuma ação sobre os estafilococos (Staphylocoque Oxford). Além disso, a solução de própole a 1/10 afrouxa a germinação dos grãos de cânhamo.

Segundo V. Khmelévskaia e outros autores de Instituto de Investigação de Radiologia e de Oncologia de Kiev, a aplicação da pomada de própole sobre a pele dos doentes em tratamento de radioterapia preservava, na maior parte do tempo, estes da ação perigosa das radiações sobre a epiderme. A pomada de própole acalma as irritações da pele devidas a essas radiações e, permitindo suprimir as interrupções no tratamento, reduz a duração deste. Por conseqüência,pode-se assim recomendar sem receio o Cilipiego desta pomada, tanto como profiláctica como curativa contra os efeitos das radiações.

A própole aparece portanto como uma das mais preciosas substâncias da colmeia a que a medicina ainda não deu seu devido valor.

 

Extraído de
As Abelhas ,farmacêuticas com asas.

 

Rogério.

Meu nome é Glalco, sou Farmacêutico e mantenho um site na rede sobre links relacionados à Área Farmacêutica.

Num dia desses recebi o seguinte e-mail :

"Meu nome é Fábio e o pedido que faço ao senhor, é: Como faço para dissolver as pedrinhas de própolis e assim obter a essência do produto (dissolvendo em água quente, misturando com álcool, ralando o produto...????). Pode parecer estranhos, mas o meu cachorro está com uma doença (feridas, feridas, feridas,...) que só pode ser curado com o aumento da dosagem de própolis no solução de álcool.... Agradeceria muito pela ajuda (espero ansiosamente a resposta)....  "

Pesquisei em algumas literaturas e tratados na área de Farmácia e encontrei , dentre outras coisas, algumas informações técnicas sobre a composição da própolis  mais não consigo formular uma resposta simples clara e objetiva para enviar p/ o Fábio. Pelo que entendi, a própolis pode ser dividida em três partes, sendo elas: a resina, a cera e o resíduo. A resina refere-se à fração que pode ser extraída com álcool70%, e é nela que já foram identificadas mais de 160 substâncias químicas, sendo que os constituintes mais importantes apresentados são os fenólicos (fenilpropanóides, derivadas de ácidos aromáticos e Bavonóides) e os demais componentes presentes são álcoois terpênicos e sesquiterpênicos, além de hidrocarbonetos, e muitos trabalhos indicam que em parte são eles os responsáveis pela atividade biológica da própolis. Com essas informações cheguei à conclusão que ela deve ser dissolvida em álcool.

Rogério,se for isso (dissolver em álcool), como deve ser o procedimento? Como podemos aumentar a eficiência da "extração" ?

Obrigado desde já.

glalco@sti.com.br